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Luke Short. O nome é curto, sim, mas a ficha corrida dele daria duas edições inteiras do Diário Oficial do Faroeste. Era pistoleiro, jogador, empresário de saloon, dândi inveterado e exímio duelista — um homem que misturava o charme de Oscar Wilde com o gatilho de Doc Holliday. Um verdadeiro aristocrata da pólvora.
Nascido em 1854, no Arkansas, Luke tinha tudo pra seguir a vida pacata de um cidadão comum… mas veja bem, isso era o Velho Oeste, onde todo mundo era candidato a cadáver ou lenda. Desde jovem ele demonstrou talento para os negócios — e para encrenca. Começou como caçador de búfalos, depois virou explorador de minas e, como todo bom aventureiro do século XIX, acabou nas mesas de pôquer de Dodge City, o centro nervoso da testosterona do Oeste.
E foi ali que brilhou. Não como xerife, nem como fora da lei, mas como o que se pode chamar de “empreendedor da noite” — dono de saloons, casas de jogo e estabelecimentos onde se bebia, fumava e atirava em iguais proporções. Luke era elegante, vestia-se como um cavalheiro e falava com ironia afiada. Só que também era um atirador de precisão cirúrgica, daqueles que só puxava o revólver quando sabia que ia acertar — e, normalmente, ele acertava no peito do desafiante.
Um de seus episódios mais notórios foi o duelo com Jim Courtright, ex-marechal de Fort Worth e valentão de carteirinha. Courtright era o típico valentão que cobrava “proteção” de donos de saloon — uma espécie de miliciano da época, digamos. Luke recusou a pagar a propina e, claro, acabou desafiado para um duelo. Resultado? Courtright puxou primeiro, mas Luke foi mais rápido e mais certeiro. Mandou o oponente pro inferno com uma sequência de tiros no estilo John Wick do século XIX. E o melhor? Com terno, colete e pose de cavalheiro.
Mas o Velho Oeste não era só bala. Era também política — suja, como sempre. Luke participou da lendária “peace commission” de Dodge City ao lado de nomes como Wyatt Earp e Bat Masterson, numa época em que ele foi expulso da cidade por rivais políticos e depois voltou com apoio armado. Isso mesmo: ele literalmente voltou escoltado por lendas do Oeste para reabrir seu saloon. Isso não é faroeste, é Game of Thrones com esporas!
Apesar de tantas aventuras, Luke morreu em 1893, em sua cama, de causas naturais — o que é quase um milagre estatístico considerando o número de duelos em que se meteu. E mesmo com essa morte pacífica, ele entrou para a galeria dos grandes personagens do Oeste, ainda que muitas vezes esquecido nas sombras dos Earps e dos James da vida.
Luke Short era, em resumo, a prova de que o Velho Oeste não era só poeira, tiroteio e caubói maltrapilho. Era também elegância, ironia, astúcia e, claro, a pontaria de um anjo vingador com sapatos lustrados. Um dândi armado. Um aristocrata do caos.
Referências Bibliográficas:
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Robert K. DeArment. Luke Short: A Biography of One of the West’s Most Colorful Gamblers and Gunfighters. University of Oklahoma Press, 1981.
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Leon Claire Metz. The Encyclopedia of Lawmen, Outlaws, and Gunfighters. Facts On File, 2002.
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Richard E. Erwin. The Truth About Wyatt Earp. Madera Books, 1999.
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Robert M. Utley. High Noon in Lincoln: Violence on the Western Frontier. University of New Mexico Press, 1987.
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Paul Trachtman. The Old West: The Gunfighters. Time-Life Books, 1974.